Wednesday, July 26, 2006

Bolas de Bancada- Daniel Reis em Abola

Uma sentença, já
Face à baderna da comissão onde pontifica o inefável Gomes da Silva, valha-nos o bom senso de Adriano Afonso...


Quero crer que a Comissão Disciplinar da Liga resolva amanhã, de vez, o imbróglio do 16.º clube do próximo campeonato. Não o resolvendo, é porque terá descambado no mais absoluto ridículo, o drama que já é hoje comparar a presteza e eficácia da justiça desportiva italiana com o nosso passo de caracol pasmado.Quando digo resolver quero dizer obter e consolidar uma sentença em primeira instância, independentemente do posterior e eventual recurso. E não anunciar uma sentença hoje, para uns dias a seguir e, por artes mágicas, se apurar uma decisão que é o seu contrário.Votem no entanto os três magistrados de turno como votarem, e excluído que está um dos fautores da confusão reinante, ao menos deixem-se de brincar aos tribunais, com juízes que ora se dizem impedidos por compromissos éticos, ora tratam de os coçar às escondidas, como se de brotoeja se tratasse, para ver se ninguém dá pela mudança quando os eliminarem, para trocar de voto.Face à baderna do tribunal, onde pontifica o desembargador António Fernando Gomes da Silva, valha-nos ao menos o bom senso e a prudência de Adriano Afonso. Ele recusou-se a aceitar as demissões de Frederico Cebola e Pedro Mourão e assegurou assim a continuidade da Comissão, com um mínimo elegível de funcionamento. Dispensou, além disso, mais esperas por eleições na Liga e os golpes baixos que usam estar associados à formação de listas, nomeadamente para as apetecíveis comissões Disciplinar e de Arbitragem.Algumas vozes se ouviram contra este procedimento do presidente da AG da Federação, segundo as quais, sem uma nova Comissão nem seria necessário repetir a votação do acórdão de 9 de Junho, ordenada pelo Conselho de Justiça. É que, dizem, estando impedido de participar o filho do ex-presidente do Gil Vicente, ganhará sempre o Belenenses por dois votos a favor, independentemente do que o inefável presidente da CD faça desta vez.E talvez isso seja verdade, bastando serem mantidas as posições de partida. Mas proceder ao contrário e provocar eleições sem estar previamente consolidada uma sentença no caso Mateus, seria muito mais nefasto.Nesse caso, a formação da lista para a futura CD, não se guiaria por critérios da isenção e competência, como é de lei. Contaria sim, e apenas, a garantia de voto assim ou assado, quando o litígio Gil Vicente/Belenenses voltasse a terreiro.Nessa altura, se o Benfica e o Boavista (sob o altíssimo patrocínio do major-presidente) continuassem a mandar na Liga — como baralharam, cortaram e voltaram a dar as cartas, nas anteriores eleições — haveria primeiro que perguntar-lhes a favor de quem estavam: se do clube de Barcelos, se do clube de Belém. Só depois se adequariam os nomes ao voto encomendado. E de pouco adiantaria aos putativos nomes da lista reclamarem independência pessoal em futuros julgamentos, nomeadamente naquele de que estamos a tratar. É que ninguém os levaria a sério, depois de aceitarem entrar neste jogo de cartas marcadas e viciadas.Como Adriano Afonso conseguiu manter a CD em funções mais algum tempo, a única coisa relevante neste momento é que ela produza uma sentença. Já.Só libertos desta obrigação, aos senhores juízes implicados no imbróglio devem ser passadas guias de marcha para fora do futebol. Sem retorno, espero eu.